Ivo M. Ferreira, Marta Popivoda e Nuno Boaventura Miranda são os cineastas convidados para a edição deste ano do Working Class Heroes, programa do Porto/Post/Doc dedicado à criação cinematográfica sobre o Porto.
Desenvolvido em parceria com a Filmaporto – film commission e a #CaixaForumPlus da Fundação “la Caixa”, o Working Class Heroes apoia a criação de novos filmes sobre a cidade através de uma bolsa de 75.000€. Em cada edição, os projetos de três cineastas são apresentados a um júri internacional. Um dos projetos é selecionado para ser desenvolvido e produzido ao longo de dois anos, com estreia mundial no Porto/Post/Doc.
O programa procura aproximar cineastas da comunidade local, criando condições para escutar, investigar e revelar diferentes histórias, memórias e experiências que atravessam o Porto contemporâneo.
Ivo M. Ferreira construiu um cinema marcado pela vontade de revisitar zonas menos trabalhadas da História contemporânea portuguesa, cruzando memória íntima, violência política e herança colonial. Nascido do meio teatral, realizou Cartas da Guerra, apresentado em Competição Oficial na Berlinale, e Hotel Império, rodado em Macau. Mais recentemente, estreou Projecto Global e encontra-se a preparar a longa-metragem Os Mágicos do Império.
Marta Popivoda, cineasta, artista e investigadora com base entre Berlim e Belgrado, desenvolve um trabalho centrado nas tensões entre memória, história e ideologia, bem como nas relações entre corpos coletivos e individuais. A partir de uma perspetiva feminista e queer, a sua prática atravessa o cinema e as artes visuais, tendo sido apresentada em instituições e festivais como a Berlinale, Locarno, IFFR, NYFF, IDFA, Visions du Réel, MoMA, Tate Modern e MAXXI. Leciona cinema na University of the Arts em Amesterdão e integra a European Film Academy.
Nuno Boaventura Miranda é cineasta cabo-verdiano e, desde 2015, desenvolve uma linguagem sensorial centrada em narrativas humanas, através da produtora que fundou com Pedro Soulé. O documentário Kmêdeus e a curta-metragem A Última Colheita, apresentada no IFFR em 2025, deram projeção internacional ao seu trabalho. Esta última, centrada nas hortas urbanas e na comunidade cabo-verdiana em Lisboa, foi distinguida no Porto/Post/Doc, no BlackStar Film Festival e nos European Film Awards. Depois de participar em programas como La Fabrique, Atlas Workshops e EAVE, encontra-se atualmente a desenvolver a primeira longa-metragem, As Flores dos Mortos, mantendo o foco em histórias invisíveis que moldam a identidade dos lugares.