Quando Lionel Rogosin filmava os marginalizados da sociedade desde a Bowery até Joanesburgo, afirmou: “vivi como se estivesse a tentar destruir Auschwitz, todos os dias da minha vida”. Agora parece interpelar diretamente o espectador, com um filme contra o esquecimento, que se divide em dois momentos antagónicos: primeiro, um convidado de uma festa propõe uma tese, como o elogio do soldado ou a necessidade da guerra; depois, Rogosin expõe a fraqueza e perigo desse argumento com imagens documentais das vítimas da guerra e cidades destruídas; por fim, cabe ao espectador chegar a uma conclusão. Como um agitador de consciências, o filme liga a alienação e cinismo dos convidados na festa às consequências de esquecer os horrores passados – é assim um manifesto antiapatia, sempre atual. Good Times, Wonderful Times faz parte de uma retrospetiva de Lionel Rogosin no Porto/Post/Doc, iniciada em 2015 com a projeção de On The Bowery (1956) e Come Back, Africa (1959). (João Araújo)